Irmãos e Irmãs Eremitas da Bem-Aventurada Virgem Maria do Monte Carmelo (ECarm)
 

   "O Carmelo de volta ao Deserto!" Este é o grito do venerável carmelita do século XIII Nicolau Francês que, ao escrever o "Ignea Sagitta" convocava os religiosos da sua Ordem a deixar as cidades e voltar ao estilo de vida eremítico. Em nossos dias, este desejo de viver o carisma carmelitano primitivo, com o Rito da liturgia Tradicional Carmelitana, em plena comunhão com a Santa Igreja Católica Apostólica Romana, suscitou a nossa fundação.

  Monges e  Monjas contemplativos de clausura, filhos e filhas da Virgem e Rainha do Carmelo e do Grande Profeta Elias, e como ele, solitários, vivem na solidão das Montanhas. Nos dispomos a descobrir um pouco o véu do mistério que envolve uma vida assim, tão escondida, para responder ao desejo de tantas almas que almejam essa solidão e silêncio do Carmelo Primitivo, como era o intento da própria Santa Teresa, reformadora do Carmelo, e de tantos outros que há séculos lutam para não deixar morrer o espírito e a vida dos Primeiros Carmelitas nesse Monte Santo.

   Há quem pergunte: por que 'Tradicional'? Porque ao conservarmos a herança da Liturgia Tradicional podemos viver melhor a austeridade Monástica Carmelitana. Neste sentido, nos incentivou sua Santidade, o Papa Bento XVI, com o MOTU PROPRIO SUMMORUM PONTIFICUM.

   O Carisma Carmelitano deve ser compreendido e respeitado como dom de Deus e por isso mesmo vivido com fidelidade a toda a prova por quem é chamado, para que assim possamos beber da "torrente" (I Reis 17) do Senhor que é o Espírito Santo.

 
Nossa pequena comunidade não possui um novo carisma, mas busca resgatar o carisma original próprio dos primeiros Carmelitas e quase sufocado pelas intempéries do tempo e das modas. Busca nas origens do Carmelo, beber da fonte do Profeta Elias e ser profeta como ele no hoje de nossas vidas.

Certa vez na gruta do Vedrá, o Carmelita Descalço, o Beato Palau, ouviu esta voz:

“Sobre três cláusulas vou fixar tua missão:

1º A revelação de minhas glórias ao mundo;
2º A restauração da Ordem do Grande Profeta Elias;
3º A missão deste Grande Profeta na terra.”
  
   Foi dessa experiência mística que nasceu, nos meados do século XIX, o nosso Carmelo Eremítico. Este grande ideal: “Restaurar a Ordem do Grande Profeta Elias”! De fato, no princípio da Ordem, todos os carmelitas eram "eremitas", ou seja, "habitantes da solidão".

   Nas outras páginas, se pode conhecer um pouco mais a nossa espiritualidade.

O Carmelo Primitivo

Escondidos no Deserto do Carmelo, nos entregamos pela Igreja.

_ Os Mosteiros são também chamados de Santos Desertos, pois neles a vida solitária é mais intensa. Localiza-se nas Montanhas, assim como os Eremitérios, mas um pouco mais próximo dos fiéis, para atendimento, aconselhamento, (nos Mosteiros dos Monges para Confissões), e uma assistência aos mesmos no que se refere a Santa Missa, Espiritualidade Carmelitana, com retiros e experiência vocacional. Também é onde os Monges e Monjas podem colher os meios de sua subsistência, para o Mosteiro e Eremitérios que lhes estão sujeitos. Faz-se o equilíbrio entre a vida solitária e a vida comunitária, com algumas orações em comum, e recreios, permite-se nestes, aparelhos eletrônicos como computadores para os trabalhos comunitários, e normalmente não há limite de Monjas, todavia damos preferência que tenha até 15 Monjas com exceção das Anacoretas, o que facilita a vida de recolhimento;

Santo Deserto de São José do Monte - MG (Em construção)

_ Os Eremitérios residem também nos ermos, mas que seja próximo a um Mosteiro, para assistência da Santa Missa e dos Sacramentos. Em cada Eremitério, reside apenas uma Monja de Votos. Todavia, podem ter vários eremitérios em um mesmo terreno, porém sem terem vida comunitária. As Anacoretas podem participar da vida da comunidade nas grandes solenidades, ou optarem por uma reclusão perpétua.

_ O termo Eremita significa, simplesmente habitante do eremo (deserto). Podemos, assim, diferenciar aquele que vive numa comunidade como: Eremita-monge, ou aquele que vive totalmente isolado como: Eremita-anacoreta.

Nosso Monte Carmelo
Mosteiro Santo Elias e Santa Maria

Dez Fundamentos de nossa vivência
1- Eremitismo - No desejo de encontrar a face de Deus e de amá-lo de todo nosso coração, buscamos o ermo. Habitamos nos lugares montanhosos e afastados das cidades, como fazia o Senhor para rezar (Lc 5, 16). Cultivamos a intimidade divina, permanecendo em oração na cela individual ou ermida. O eremita descobre o espaço propício para as três jornadas da vida espiritual, a purificação, a iluminação e a união, até o íntimo do deserto: a transformação em Deus. Ele aprende a orar, fazer penitência, obedecer e viver na solidão. Adestrando-se no domínio das paixões desordenadas e no conhecimento de Jesus Cristo, elevando o coração em aspirações de amor e é induzido à contemplação das divinas perfeições em cuja admiração há de abrasar sua alma em amor celestial. Em sinal desse afastamento do mundo, vestimos a Túnica Monástica.

2- Ecclesia – No entanto, também procuramos amar nosso próximo vivendo em comunhão fraterna. O Senhor nos disse que onde dois ou mais reunidos em seu nome Ele mesmo estaria no meio deles (Mt 18, 20). Estamos em plena comunhão com a Igreja e procuramos estar sempre disponíveis para servi-la, pela oração e eventualmente também organizando retiros nos Mosteiros e atendimento aos fiéis que nos procurem. Vemos na Igreja a figura Mística da Esposa de Cristo. Por amor a Ele, nos consagramos para viver em castidade, em benefício de todo seu Corpo Místico (Mt 19,12). Em sinal disso, nos cingimos com a Correia.

3- Escravidão a Nossa Senhora – Como carmelitas, procuramos honrar a Imaculada Virgem Maria. A Ela pertencemos como filhas, conforme disse o Senhor: “Eis tua Mãe” (Jo 19,25) e como escravos, pois Ela é nossa Rainha e Soberana, “A Senhora do Lugar”, como diziam os primeiros Carmelitas. Ela também é nossa Irmã de caminhada e exemplo de vida consagrada a Deus. Procuramos servi-la, imitar suas virtudes e propagar sua devoção. Rezamos diariamente o Rosário, com uma dezena a mais pelas almas do purgatório. Em sinal dessa união com Nossa Senhora, usamos a Coroa de seis dezenas, presa à correia.

4- Esmola – Vivemos de esmolas e doações, e do trabalho de nossas mãos, como diz a regra, mas não vendemos o que produzimos. Tudo o que ganhamos é posto em comum e partilhado com os pobres. Evitamos acumular bens, o excesso de conforto e a ostentação. Em sinal disso, andamos de sandálias. Pois o Senhor mandou que seus discípulos fossem desprendidos de coisas materiais e andassem de Sandálias (Mc 6,9)

5- Expiação – Além do trabalho manual, oferecemos a Deus todas as austeridades de nossa vida em expiação dos nossos próprios pecados e os do mundo inteiro. Todos os dias às 15 horas rezamos, nessa intenção, o terço da Divina Misericórdia. Praticamos o jejum e mesmo quando não se faz jejum, só tomamos, normalmente, duas refeições. Assim buscamos obedecer ao apelo do Senhor que disse: “Fazei penitência” (Mt 4,17) Em sinal disso, usamos a Cruz no peito após a profissão dos votos.

6- Exorcismo – O Senhor foi conduzido pelo Espírito ao deserto, a fim de lutar com o demônio (Lc 4,1) Da mesma forma, através da ascese, da oração e da Palavra de Deus, procuramos empreender, como determinou Jesus, (Mc 16,17) este combate espiritual (Ap 12,16). Como nos exorta a regra, nos revestimos da armadura de Deus para sermos capazes de resistir às flechadas do inimigo. Como sinal disso, usamos a Touca e o Véu.

7- Escatologia – A finalidade principal de nossa vida é alcançar o Céu. Vivemos na expectativa da vinda do Senhor, conforme Ele disse “Estai vós também preparados” (Mt 24, 44). A Liturgia do Domingo, seja pela vigília noturna, seja pela Missa Solene indica que a Ressurreição é o centro da nossa espiritualidade. Além disso, temos um compromisso de oração pelas almas do purgatório. Como sinal desta dimensão escatológica, usamos o Santo Escapulário.

8- Elias e Eliseu – Nessa Escola dos profetas, à qual também pertenceu João Batista aprendemos a ser, ao mesmo tempo, monjas e profetas (Mc 11,32), vivendo na contemplação e no anúncio, com a palavra e, principalmente com a vida. Desejamos como eles, e também como a Santa Madre Teresa de Jesus, arder de Zelo pela Glória de Deus e da sua Igreja e pela salvação das almas. Como sinal disso, usamos a capa branca, herança de Elias a seu discípulo.

9- Natureza – “Deus viu que todas as coisas que tinha feito eram muito boas” (Gen. 1,31) Vivendo junto a uma fonte, como os antigos habitantes do Carmelo, valorizamos a água como elemento essencial para a Vida. Consideramos a Vida como o valor fundamental desse carisma que o Deus Vivo suscitou nos profetas. Nosso Senhor veio para que todos tivessem Vida em abundância. (Jo 10,10) Por isso, buscando viver em harmonia com a natureza, defendendo qualquer forma de Vida. Seguindo estritamente a Regra, nos abstemos de comer carne, segundo o projeto inicial de Deus (Gen. 1,29), excetuando a carne de peixe, quando nos é dada. Nesse mesmo sentido, evitamos tudo que prejudica a saúde, como açúcar e cafeína, e nem bebida alcoólica. (Lc 1,15) Em sinal dessa paz que indica profeticamente o Reino Messiânico, usamos o Véu Branco mesmo após a recepção do Véu negro das Professas.

Mosteiro Santo Elias e Santa Maria

10- Liturgia Tradicional Carmelitana (Santa Missa, Ofício Divino e Ritual)

Santa Missa em nossa Capela

Primeira Capela do Mosteiro do Paraguay
Aqui se encontra o mistério da Mulher do Apocalipse,
que fugiu para o Deserto para proteger seu Filho!

Rito de Profissão Monástica na Catedral de Ciudad del Este - Paraguay

Santas Missas celebradas em nosso Antigo Monastério Santo Elias


A mística da Santa Cela ou Ermida


A cela individual é fundamental para se viver o silêncio e o recolhimento, no estilo eremítico da Regra Primitiva. Como um templo Sagrado de intimidade com Deus, deve ser respeitada a privacidade de cada Religioso em sua cela.
Todavia a solidão da cela não pode ser uma forma de egoísmo visando apenas o próprio bem espiritual, pois, ‘o monge torna-se uma ponte entre Deus e o mundo ou um canal pelo qual fluem as águas da salvação’. A sós em sua cela pedindo perdão primeiramente de seus pecados traz a si todas as necessidades da Igreja e da Humanidade.

“O solitário desde seu penhasco rende à divindade da religião, sem ruído de palavras, um público testemunho não menos brilhante que os pregadores do Evangelho” (Vida Solitária-Be.Pallau).


Estilo de nossas Celas-Ermidas
Conforme a Santa Regra Primitiva

    
   O verdadeiro carmelita anseia pelo momento de solidão na sua cela simples e pobre. A pobreza, austeridade, simplicidade e limpeza são características do aspecto externo da cela. Uma cela deve ser quase rude na sua pobreza e simplicidade. Deve conter uma mesa e uma cadeira. Haja sempre a Sagrada Escritura, que nossos primeiros Pais liam de joelhos, juntamente com papel e lápis. O leito seja rude, com simples tábuas em vez de colchão; mas não faltem dois cobertores e um travesseiro, se necessário. Uma simples cruz de madeira, sem o Cristo, deve estar pregada na parede, em lugar bem destacado, uma imagem de Nossa Senhora. A cruz sem o Cristo é para lembrar o que ela é para nós, pois os que amam apaixonadamente Jesus Cristo desejam ser crucificados com ele a fim de chegarem às alegrias da Ressurreição.

Ermida do Santo Desterro (Santa Rita - Paraguai)

Capela do Eremitério da Virgem Carmelitana dos Desertos
(Paraguay)



Antiga Ermida da Anunciação
(Está sendo transladada para o novo Mosteiro Santo Elias e Santa Maria, devido a sua estrutura desmontável, qual a pequena Ermida de Loreto!)

 Ermitas del Monasterio de la Virgen Maria del Monte Carmelo
No Vale dos Arcanjos, frente ao Rio Ñacunday
 (Rio da águas escondidas, misteriosas)

Rio Ñacunday



 Ermida de São Miguel
Ao lado da pequena cachoeira que desemboca no Ñacunday


 Ermida de São Gabriel

Ermida de São Rafael

 Ermita de la Cruz
 Interior da Ermida da Cruz: pobreza, austeridade e penitência



Karmel
O Jardim e Deus e da Imaculada Virgem Maria do Monte Carmelo