"O Carmelo de volta ao Deserto!" Este é o grito do venerável carmelita do século XIII Nicolau  o Francês que, ao escrever o "Ignea Sagitta" convocava os religiosos da sua Ordem a deixar as cidades e voltar ao estilo de vida eremítico. Afinal, não é novidade nenhuma que a solidão e o silêncio do deserto forjaram os maiores santos do cristianismo, que animados e fortalecidos pelos auxílios da Graça Divina, escancarada pela pregação da Santa Madre Igreja decidiram-se por uma vida de perfeição, renunciaram a tudo, abraçaram uma vida mortificada e penitente e conquistaram o Paraíso Celeste onde cantam eternamente os justos louvores a Deus.

Não se trata de um novo carisma, mas um resgate da forma de vida dos primeiros Carmelitas. Nesse sentido os Irmãos e Irmãs Eremitas da Bem-Aventurada Virgem Maria do Monte Carmelo (ECarm), inseridos em um contexto longe das cidades, na solidão “dos montes e nos desertos” abrem as comportas que enceram a grande potência da Liturgia Tradicional Carmelitana, que há séculos estava esquecida, cuja base está completamente fundamentada na Santa Igreja Católica Apostólica Romana a qual permanece em plena comunhão nos dias atuais. Mas agora é reavivada e impulsionada por almas generosas à voz da graça que deixam as riquezas e ilusões do mundo, para seguir Nosso Salvador Jesus Cristo a exemplo de Santo Elias, em uma vida simples, obediente, com uma verdadeira conversão de costumes e estabilidade monástica.


Iniciado em 2002, e fundado oficialmente aos oito de setembro de 2007, o Mosteiro Santa Maria, pertence à espiritualidade da Ordem do Carmelo, ainda que canonicamente separados como Mosteiro autônomo. O Mosteiro reside na Cidade de Santa Rita - Alto Paraná, Paraguay. Tem um Deserto – Eremitério dependente na Cidade de Itapeva – Minas Gerais, Brasil.

“O principal objetivo da Ordem do Carmelo é amar a Deus e viver na presença dEle. A este objetivo conduzem o silêncio, a solidão, o retiro e o afastamento das coisas mundanas, a oração contínua e a meditação das verdades eternas.” (Constituições Ecarm)



O Carmelo Primitivo

Escondidos no Deserto do Carmelo, nos entregamos pela Igreja.

Também chamados de Santos Desertos, os Mosteiros encerram uma vida de intensa solidão, vivendo este grande ideal de: “Restaurar a Ordem do Grande Profeta Elias”!

Dessa forma, um ambiente muito eficaz e favorável para retiros, além da experiência vocacional que toma forma na identidade própria do carisma. Embora, localizados em lugares afastados das cidades, acabam sendo alvo preferido dos fiéis atraídos pela assistência dos Sacramentos. Acarretando um fluxo de vigoroso apostolado para os monges

Mosteiro da Virgem Maria do Monte Carmelo
Santa Rita - Paraguay
O carisma comporta eremitérios que podem residir nos ermos, próximos do Mosteiro, para assistência da Santa Missa e dos Sacramentos. Em cada Eremitério, reside apenas uma Monja de Votos. Todavia, podem ter vários eremitérios em um mesmo terreno, porém sem terem vida comunitária. Os anacoretas podem participar da vida da comunidade nas grandes solenidades, ou optarem por uma reclusão perpétua.


O termo Eremita significa simplesmente habitante do ermo (deserto). De fato, no princípio da Ordem, todos os carmelitas eram "eremitas", ou seja, "habitantes do ermo, da solidão". Podemos, assim, diferenciar aquele que vive numa comunidade como: Eremita-monge, ou aquele que vive totalmente isolado como: Eremita-anacoreta. 

Itapeva - MG, Brasil


Dez Fundamentos de nossa vivência
1- Eremitismo - No desejo de encontrar a face de Deus e de amá-lo de todo nosso coração, buscamos o ermo. Habitamos nos lugares montanhosos e afastados das cidades, como fazia o Senhor para rezar (Lc 5, 16). Cultivamos a intimidade divina, permanecendo em oração na cela individual ou ermida. O eremita descobre o espaço propício para as três jornadas da vida espiritual, a purificação, a iluminação e a união, até o íntimo do deserto: a transformação em Deus. Ele aprende a orar, fazer penitência, obedecer e viver na solidão. Adestrando-se no domínio das paixões desordenadas e no conhecimento de Jesus Cristo, elevando o coração em aspirações de amor e é induzido à contemplação das divinas perfeições em cuja admiração há de abrasar sua alma em amor celestial. Em sinal desse afastamento do mundo, vestimos a Túnica Monástica.

2- Ecclesia – No entanto, também procuramos amar nosso próximo vivendo em comunhão fraterna. O Senhor nos disse que onde dois ou mais reunidos em seu nome Ele mesmo estaria no meio deles (Mt 18, 20). Estamos em plena comunhão com a Igreja e procuramos estar sempre disponíveis para servi-la, pela oração e eventualmente também organizando retiros nos Mosteiros e atendimento aos fiéis que nos procurem. Vemos na Igreja a figura Mística da Esposa de Cristo. Por amor a Ele, nos consagramos para viver em castidade, em benefício de todo seu Corpo Místico (Mt 19,12). Em sinal disso, nos cingimos com a Correia.

Nosso Bispo, Sua Exc. Rev.ma. Mons. Guillermo Steckling
Em visita a nosso Mosteiro em Santa Rita
Nosso Bispo, Nosso Pároco de Santa Rita e Nosso Padre Prior

3- Vida Mariana – Como carmelitas, procuramos honrar a Imaculada Virgem Maria. A Ela pertencemos como filhas, conforme disse o Senhor: “Eis tua Mãe” (Jo 19,25) e como servas, pois Ela é nossa Rainha e Soberana, “A Senhora do Lugar”, como diziam os primeiros Carmelitas. Ela também é nossa Irmã de caminhada e exemplo de vida consagrada a Deus. Procuramos servi-la, imitar suas virtudes e propagar sua devoção. Rezamos diariamente o Rosário, com uma dezena a mais pelas almas do purgatório. Em sinal dessa união com Nossa Senhora, usamos a Coroa de seis dezenas, presa à correia.

4- Esmola – Vivemos de esmolas e doações, e do trabalho de nossas mãos, como diz a regra, mas não vendemos o que produzimos. Tudo o que ganhamos é posto em comum e partilhado com os pobres. Evitamos acumular bens, o excesso de conforto e a ostentação. Em sinal disso, andamos de sandálias. Pois o Senhor mandou que seus discípulos fossem desprendidos de coisas materiais e andassem de Sandálias (Mc 6,9)

5- Expiação – Além do trabalho manual, oferecemos a Deus todas as austeridades de nossa vida em expiação dos nossos próprios pecados e os do mundo inteiro. Todos os dias às 15 horas rezamos, nessa intenção, o terço da Divina Misericórdia. Praticamos o jejum e mesmo quando não se faz jejum, só tomamos, normalmente, duas refeições. Assim buscamos obedecer ao apelo do Senhor que disse: “Fazei penitência” (Mt 4,17) Em sinal disso, usamos a Cruz no peito após a profissão dos votos.

6- Exorcismo – O Senhor foi conduzido pelo Espírito ao deserto, a fim de lutar com o demônio (Lc 4,1) Da mesma forma, através da ascese, da oração e da Palavra de Deus, procuramos empreender, como determinou Jesus, (Mc 16,17) este combate espiritual (Ap 12,16). Como nos exorta a regra, nos revestimos da armadura de Deus para sermos capazes de resistir às flechadas do inimigo. Como sinal disso, usamos a Touca e o Véu.

7- Escatologia – A finalidade principal de nossa vida é alcançar o Céu. Vivemos na expectativa da vinda do Senhor, conforme Ele disse “Estai vós também preparados” (Mt 24, 44). A Liturgia do Domingo, seja pela vigília noturna, seja pela Missa Solene indica que a Ressurreição é o centro da nossa espiritualidade. Além disso, temos um compromisso de oração pelas almas do purgatório. Como sinal desta dimensão escatológica, usamos o Santo Escapulário.

Monastério Santa Rita - Py

8- Elias e Eliseu – Nessa Escola dos profetas, à qual também pertenceu João Batista aprendemos a ser, ao mesmo tempo, monjas e profetas (Mc 11,32), vivendo na contemplação e no anúncio, com a palavra e, principalmente com a vida. Desejamos como eles, e também como a Santa Madre Teresa de Jesus, arder de Zelo pela Glória de Deus e da sua Igreja e pela salvação das almas. Como sinal disso, usamos a capa branca, herança de Elias a seu discípulo.

9- Natureza – “Deus viu que todas as coisas que tinha feito eram muito boas” (Gen. 1,31) Vivendo junto a uma fonte, como os antigos habitantes do Carmelo, valorizamos a água como elemento essencial para a Vida. Consideramos a Vida como o valor fundamental desse carisma que o Deus Vivo suscitou nos profetas. Nosso Senhor veio para que todos tivessem Vida em abundância. (Jo 10,10) Por isso, buscando viver em harmonia com a natureza, defendendo qualquer forma de Vida. Seguindo estritamente a Regra, nos abstemos de comer carne, segundo o projeto inicial de Deus (Gen. 1,29), excetuando a carne de peixe, quando nos é dada. Nesse mesmo sentido, evitamos tudo que prejudica a saúde, como açúcar e cafeína, e nem bebida alcoólica. (Lc 1,15) Em sinal dessa paz que indica profeticamente o Reino Messiânico, usamos o Véu Branco mesmo após a recepção do Véu negro das Professas.

Mosteiro Santo Elias e Santa Maria

10- Liturgia Tradicional Carmelitana (Santa Missa, Ofício Divino e Ritual)

Santa Missa em nossa Capela
Primeira Capela do Mosteiro do Paraguay
Aqui se encontra o mistério da Mulher do Apocalipse,
que fugiu para o Deserto para proteger seu Filho!
Capela do Santo Deserto de Santa Maria
Itapeva - MG - Brasil

Interior da Capela


Capela do Mosteiro da Virgem Maria do Monte Carmelo
Santa Rita, Paraguay
Coro das Monjas





Sacristia
Interior da Capela - Altar
Rito de Profissão Monástica
Catedral de Ciudad del Este - Paraguay

Santas Missas 
Celebradas em nosso Antigo Monastério Santo Elias


Fotos da Ordenação Sacerdotal de nosso Padre Prior Frei Tiago de São José
Por sua Em.ª Revma. Cardeal Dom Aloísio Lorscheider (In memoria)
Realizada aos 08/12/2000 Solenidade da Imaculada
No Mosteiro Belém, Obra dos Santos Anjos em Guaratinguetá-SP




Sacerdos In Æternum!

Sua primeira Missa no Santuário de Aparecida
(A seu lado, o atual Bispo de Pouso Alegre)

Um valor fundamental


A cela individual é fundamental para se viver o silêncio e o recolhimento, no estilo eremítico da Regra Primitiva. Como um templo Sagrado de intimidade com Deus, deve ser respeitada a privacidade de cada Religioso em sua cela.
Todavia a solidão da cela não pode ser uma forma de egoísmo visando apenas o próprio bem espiritual, pois, ‘o monge torna-se uma ponte entre Deus e o mundo ou um canal pelo qual fluem as águas da salvação’. A sós em sua cela pedindo perdão primeiramente de seus pecados traz a si todas as necessidades da Igreja e da Humanidade.

“O solitário desde seu penhasco rende à divindade da religião, sem ruído de palavras, um público testemunho não menos brilhante que os pregadores do Evangelho” (Vida Solitária-Be.Pallau).


Estilo de nossas Celas-Ermidas
Conforme a Santa Regra Primitiva

   O verdadeiro carmelita anseia pelo momento de solidão na sua cela simples e pobre. A pobreza, austeridade, simplicidade e limpeza são características do aspecto externo da cela. Uma cela deve ser quase rude na sua pobreza e simplicidade. Deve conter uma mesa e uma cadeira. Haja sempre a Sagrada Escritura, que nossos primeiros Pais liam de joelhos, juntamente com papel e lápis. O leito seja rude, com simples tábuas em vez de colchão; mas não faltem dois cobertores e um travesseiro, se necessário. Uma simples cruz de madeira, sem o Cristo, deve estar pregada na parede, em lugar bem destacado, uma imagem de Nossa Senhora. A cruz sem o Cristo é para lembrar o que ela é para nós, pois os que amam apaixonadamente Jesus Cristo desejam ser crucificados com ele a fim de chegarem às alegrias da Ressurreição.


Antiga Ermida da Anunciação
Transladada para o novo Deserto de Santa Maria, devido a sua estrutura desmontável, qual a pequena Ermida de Loreto!

Ermida dos Monges

Ermida das Monjas


Oratório no interior de uma das Celas



Em caso de necessidade:
Ermidas de Madeiras, 
feitas pelos Monges e Monjas




 Primeiras ermitas del Monasterio de la 
Virgen Maria del Monte Carmelo
No Vale dos Arcanjos, frente ao Rio Ñacunday
 (Rio da águas escondidas, misteriosas)

Rio Ñacunday


 Ermida de São Miguel
Ao lado da pequena cachoeira que desemboca no Ñacunday


 Ermida de São Gabriel

Ermida de São Rafael

 Ermita de la Cruz